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Mostrando postagens com o rótulo Dança e formação

Leis para as danças do Brasil, desafio para todos

Meu Prazer, Márcia Milhazes, RJ Quem entrasse no ginásio de esportes que durante 15 anos abrigou o Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina, se não fosse avisado de que presenciava um evento das artes cênicas, poderia, facilmente, achar que se encontrava em um certame competitivo de algum esporte famoso, tal era a gritaria das torcidas que lotavam as arquibancadas e o auditório em que se transformara a quadra poliesportiva do local. Mesmo para aqueles que sabiam do que se tratava – um festival de dança onde grupos e escolas de natureza diversa apresentam peças diferenciadas –, era difícil aceitar que aquela gritaria seria atitude de uma platéia de dança, ainda que a mesma fosse basicamente composta de jovens entusiastas, basicamente estudantes, compondo-se, portanto, de um público literalmente em formação, que paradoxalmente era convidado a apreciar apenas peças de curtíssima duração, estabelecendo-se uma certa estética de videoclip, em patchworks dançantes muito di...

A arte da dança na universidade pública contemporânea.

Fachada Instituo de Artes / Unicamp A maior parte da formação em dança no Brasil está sob a tutela de uma rede informal e privada, o que resulta em um sistema de ensino pelo qual se fazem necessários os ônus de custos arcados individualmente e aquele ligado à ausência, quase generalizada, de certificados ou títulos oficiais de profissionalização. Tais condições de ensino e aprendizado dificultam o acesso à formação em dança, sobretudo no que toca a pessoas pertencentes a camadas sociais economicamente menos favorecidas. Ainda que escassas, existem bolsas de apoio, que incentivam o estudo informal, a pesquisa e a criação, além das “leis de incentivo” e subvenção direta, pelas quais são viabilizadas verbas para a montagem de espetáculos, pagamento de salas de ensaio, manutenção de elencos, turnês, festivais e mostras. Todavia, estes recursos não se dirigem aos processos de formação em si. Apesar disto, o Brasil é reconhecido pela qualidade de sua dança, de seus intérpretes e...

Do íntimo, do particular e do público: subsídios para a gestão em dança

Dança Frente-e-Verso (Inside Out), Mousonturm, Alemanha Como se estabelecem os fluxos entre a invenção, a criação, a produção e a difusão em dança, na articulação de diversas atividades profissionais? De onde surgem as "idéias da dança" e como elas logram chegar – como metáforas corporais-, frente às várias audiências contemporâneas. Como se inventa um bailarino? E como surge uma vocação em dança? Ao se ver alguém dançando na TV? Durante o carnaval? Vendo um homem que salta estampado em pôster de academia de dança, vislumbrado pela janela? Ou ainda na forma de uma quase revelação, expressa em frases como: “Quero ser esta moça que dança!” ou “Quero ser esta passista de frevo que acabo de ver na TV!”. Neste momento, estabelece-se uma empatia tão grande, que aponta para o “querer ser” uma bailarina de frevo, mas, para além disto, querer ser o frevo, querer ser a dança em si. O que torna uma bailarina e dança uma mesma coisa, um mesmo ente à frente de quem acaba ...

Danças para todos! (mas nem todas para todo mundo)

Aula/Mirian Druwe, Plataforma Formação Estado da Dança, Parque do Engenho/Piracicaba Entramos na sala de espetáculo. Uma bailarina está deitada de costas para a platéia, em um palco vazio, sem música, luz especial, de cortinas abertas. Conversamos, procuramos nossas poltronas e, com sorte, vamos paulatinamente aquietando a respiração e as idéias, deixando para trás o acontecido em dia provavelmente atribulado. A bailarina segue imóvel, atuando em espera. O espetáculo não se inicia e começamos a nos perguntar: quando começará? Quando esta moça vai dançar? Quando começará a coreografia, enfim? A resposta: o espetáculo já começou e durante todo este tempo estivemos dele participando, ao presenciar alguém que não se move frente a um conjunto de pessoas que se move à espera da dança de uma bailarina. Alguns estariam se perguntando – ‘isto é dança’? Sim, é uma das possibilidades de sua apresentação contemporânea frente a nós. Subitamente, também me percebo impaciente frente à ce...

Carta sobre uma plateia da Fábrica de Cultura Vila Brasilândia São Paulo, outubro de 2015

TD - Teatro da Dança (Teatro Itália, SP) plateia Estamos no saguão do teatro da Fábrica de Cultura Vila Brasilândia. Pela porta de vidro, vemos jovens e crianças conversando, brincando, se enfrentando, em porfirias infanto-juvenis: mais fortes contra menos fortes, mais rápidos contra mais lentos, maiores contra pequenos. Todos esperando para ver o espetáculo “Das Tripas Coração”, do criador Ismael Ivo. Fruto do programa BDC- Biblioteca do Corpo (2015, Secretaria do Estado da Cultura, SP, OS Poieisis, SESC São Paulo), seus artistas esperam no palco para começar o espetáculo. Ismael começa a conversar sobre o tema da obra- tráfico internacional de corpos e de órgãos. Uma das professoras se manifesta: seus alunos são pequenos demais para encarar este tema e com eles se retira. Outra, em contraponto, diz que...