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Em setembro, no CASSIANAVAS, NA REDE veja em NOVO/NEW: o texto “COMO DANÇA SÃO PAULO”, publicado no livro MINHASP, 2013, organização: Ronald Grätz, lançado em 2013 na Bienal de Frankfurt e relançado São Paulo, em agosto 2014, no Espaço Uruguay, da Avenida Paulista.

Com fotos de Iatã Canabrava e Britta Radike, o livro compõe a série de publicações de Grätz sobre cidades do mundo: Tóquio, Nova Iorque, Aleppo, Moscou.

Em “Como Dança São Paulo”, escrito a partir de uma foto da Escola de Samba Pérola Negra (Vila Madalena/SP), tem dança de São Paulo para São Paulo, uma cidade que dança.

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Cássia Navas

As imagens acima postadas são de caráter ilustrativo, não se referindo, necessariamente, a textos específicos deste site.

NOVO/NEW

Minha SP – Como dança São Paulo 

São Paulo, 22 horas. Saímos da estação de metrô Belenzinho, em um sábado à noite.Percebe-se o final de uma fila de jovens que se organizada ao longo de um muro junto à saída do metrô. Começamos a andar ao lado da fila e quando chegamos ao Chic Show, casa de dança para onde nos dirigimos, percebo que a fila é para comprar os ingressos para entrar no local. A noite vai ser animada, pesquisa se misturando à aventura.

Neste dia de 1991, estamos em meio à produção do documentário “Como Dança São Paulo, sobre dança na cidade de São Paulo, produzido pela Secretaria Municipal da Cultura. Até a ida ao Chic Show, já tínhamos filmado n Forró do Pedro Sertanejo (Brás), o Clube

da Saudade da Lapa, a Nation (Jardins), o Lambar (Itaim), e outras casas de dança da cidade de São Paulo. Faltavam ainda algumas tomadas, mas o desafio de documentar um baile doChic Show seria grande. Nascido nas salas da gafieira São Paulo Chic, na Barra Funda, fora crescendo depois que netos e filhos dos “bambas” do samba do lugar resolveram criar um baile para outros ritmos, principalmente aqueles que vinham nas asas do blues norte- americanos. Quando o tamanho do público aumentou, espraiaram-se para o salão do Belenzinho.

A multidão dançava dentro do Chic Show: samba-rock, rock, soul, charm. Mais de quatro mil pessoas passariam por ali naquela noite, e de cima do palco observava uma “São Paulo que dança”. Proximamente, filmaríamos outra tribo dançante, a do samba, na pesquisa e filme representada pelo ensaio final da Escola de Samba Camisa Verde e Branco, na Barra Funda, dias antes do Carnaval.

Chovia e fazia calor, povo dançando em torno do mestre-sala e da porta-bandeira ,duo que nos apresenta a realeza de cada escola de samba, carregando o estandarte da escola nas mãos e a sua energia em passos coreografados durante cada desfile. Como na foto do “casal real”, da Escola de Samba Pérola Negra, da Vila Madalena.

21 nos se passaram da estreia do documentário, mudaram os ritmos, mudou a vida, mas a quantidade de pessoas que dançam a cada dia em São Paulo, só fez crescer.

No documentário de 1991, produzido sobre duas pesquisas que realizei na Equipe dePesquisa-Artes Cênicas/Centro Cultural São Paulo, a primeira vez pelos registros fotográficos de Gal Oppido e, no filme, com direção de Aluisio Raulino, a proposta era mostrar a dança pelo lado de quem a fazendo com paciência, método, alegria e entusiasmo não têm a arte como uma profissão.

Desde sempre e diferentemente do que muitos pensam, dança-se muito em São Paulo, tão laboriosamente quanto aqui se trabalha. E em muitos cantos e espaços- – palco, salão, quadra, boate, desvão de estação de metro ou trem onde cidadãos movem-se em dança, e de variadíssimas maneiras.

Os gêneros destas danças vão e vem, a lambada que documentamos no “Como Dança São Paulo”, já quase não existe. Apareceu o forró universitário, as danças do hip hop se fortaleceram e se multiplicaram e a pulsação de uma cidade – que muitos pensam só se mover pelas ruas, prédios, comércio, serviços e fábricas- continua a se fazer pela dança.

Uma multidão de pessoas dança em São Paulo. Por prazer, por paixão, pela importância de pertencer a uma comunidade, pela coerção do rito, pela alegria da pertença a um ritmo, movimento, cadência. Para acompanhadamente estar sozinho controlando seu corpo em cultura rica de significados. Individualidades somando culturas grupais.

A todos estes atores agregam-se aqueles que fazem da dança sua profissão- coreógrafos e bailarinos que para além da ocasião, rito, celebração ou ato social, a partir da arte comunicam conhecimento humano através da escrita coreográfica.

Estão nos espetáculos de dança, pelos quais nos contam – sem palavras- temas, sensações, histórias e emoções de nossos tempos Pulsando junto com a cidade, estabelecem conexões com toda a dança que se faz por aqui, todo dia e a cada momento, e representados estão no balé de cada dupla de “porta-bandeira e mestre sala” que rasga o sambódromo, a cada ano.

Cássia Navas

Nascida em São Paulo, no bairro da Bela Vista, morou no Belém, Tucuruvi, Jardim São Paulo, Moema, Lapa e Alto de Pinheiros, tudo em São Paulo, sua cidade e casa. Pesquisadora e ensaísta, é professora de história/teoria da dança na UNICAMP/Universidade de Campinas e curadora de mostras/festivais.